Vinde, Vera! – Crônica por Letícia Garcia

Vera, sinônima do que é belo, ela promove conforto às mentes vigilantes

Vera

Vera, o nome é pouco suspeito. Cheio de efeito. (Foto: Reprodução)

Do lado de lá da janela fechada, passos vagarosos pousam sobre os vestígios abandonados de um frio fugitivo. Colorem o chão com tons de deleite. Em cada esquina, um novo enfeite se apruma e presenteia sua chegada com os perfumes que lhe são de direito.

O nome é pouco suspeito. Cheio de efeito. É Vera.

É estação.

Sinônima do que é belo, ela promove conforto às mentes vigilantes, que, tão cansadas da rigidez do inverno, congelaram emoções e sucumbiram ao conforto cálido de suas moradas.

E tais humores congelados, derretem com o impacto do sorriso luminoso que tracejam os lábios florais por ela oferecidos ao mundo, de bom grado. A melodia dos pássaros dão-lhe as boas vindas, e a chuva vai lavando da memória as noites com peles arrepiadas e sussurros vaporizados.

Há quem reclame da bagunça que ela faz. Não é por menos. Inconstância intermitente que não sabe como é capaz de enlouquecer qualquer um. Se de manhã o calor impera, então à noitinha o que nos espera é correria desesperada para se proteger da garoa, é ventania adoidada que sacode as roupas penduradas no varal, passarinho fazendo ninho e sujeira no quintal.

O vento da primavera assopra todas as velhas folhas do inverno de volta para o jardim, e as flores se entristecem com o encontro de uma promessa que o destino oferece. É como olhar em um espelho que mostra o futuro e as garantias de um padecimento iminente.

Mas nos faz pensar nas vivências dos momentos bons, que só o são por já terem um dia começado, existido e findado.

Vinde a nós, Vera, proclamando o porvir. Vinde! Pois no ano seguinte já não seremos os mesmos. Vinde, sem deixar de sorrir, e anuncia:

“Todas as folhas secas já foram verdes um dia.”



Escritora e acadêmica de Pedagogia pela Universidade Federal de Alfenas


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